O Bitcoin ultrapassou os US$ 80.000 nesta terça-feira e chegou a US$ 81.237,94, o nível mais alto desde meados de maio, enquanto o ouro atingiu a maior cotação em três meses. O movimento ocorreu em meio à desvalorização do dólar, após ações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para acalmar o mercado de títulos.
Recompra de títulos e pedido de Trump ao Congresso
Na semana passada, o Tesouro dos EUA revelou planos de recomprar mais títulos de longo prazo para ajudar a conter os ganhos nos rendimentos. A medida fez com que o dólar norte-americano arcasse com a apreensão dos investidores.
Também na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Congresso a aprovação de um projeto de lei com definições mais claras para o setor de criptomoedas.
Desde então, o Bitcoin subiu 16%. Até o momento em agosto, a alta chega a 28%, deixando a criptomoeda a caminho do maior ganho mensal desde novembro de 2024. Às 11h36, no horário de Brasília, o ativo subia 0,45%, cotado a R$ 79.277,70.
O que analistas dizem sobre o cenário macro
Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, afirmou que as declarações de Bessent reforçaram a percepção de que os formuladores de políticas dos EUA podem ter menor tolerância a novos aumentos nos rendimentos de longo prazo, pelo menos até as eleições de meio de mandato do Congresso.
Segundo Sun, esse cenário poderia ser relativamente favorável a ativos como Bitcoin e ouro.
Geoff Kendrick, diretor global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, avaliou que o anúncio do Tesouro é o tipo de fator que favorece o Bitcoin. Ele acrescentou que a criptomoeda foi criada para oferecer aos investidores uma forma de evitar esse tipo de intervenção estatal.
A medida também alimentou especulações sobre uma operação de desvalorização, em que ações para impedir que os rendimentos de longo prazo alcancem níveis de equilíbrio de mercado, por meio de recompras, transferem a pressão do mercado de títulos para o mercado cambial.
Pontos-chave da sessão
- BITCOIN: acima de US$ 80.000, com máxima intradiária de US$ 81.237,94 e alta de 28% em agosto até o momento.
- OURO: maior cotação em três meses, beneficiado pela fraqueza do dólar.
- TESOURO DOS EUA: planos de recomprar mais títulos de longo prazo para ajudar a conter os rendimentos.
- PERSPECTIVA: Tony Sycamore, da IG, avaliou que uma quebra sustentada acima do nível atual abriria caminho para o Bitcoin avançar em direção a US$ 95.000 a US$ 100.000.
Mercados acompanham dólar e títulos
O avanço do Bitcoin e do ouro ocorreu em um contexto de fraqueza do dólar e de atenção às medidas do Tesouro dos EUA para o mercado de títulos. A recompra de papéis de longo prazo foi apontada como um fator que ampliou as preocupações dos investidores no mercado cambial.
Tony Sycamore, analista de mercado da IG, afirmou que o anúncio do Tesouro levou compradores a buscar ativos físicos e digitais, à medida que ressurgiram os temores em torno de uma possível operação de desvalorização.
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