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Como funciona o alerta da Defesa Civil que aparece no celular?

Redação Recifes
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Como funciona o alerta da Defesa Civil que aparece no celular?
Foto: Bombeiros MT / Pexels

O celular toca uma sirene alta, interrompe qualquer aplicativo aberto e exibe uma mensagem orientando a procurar um local seguro ou deixar imediatamente uma área de risco. Desde que o sistema Defesa Civil Alerta começou a ser expandido pelo país, esse tipo de aviso passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros.

A mensagem pode chegar durante uma tempestade, um risco de deslizamento, uma enchente ou até mesmo em situações de calor extremo e baixa umidade do ar. Mas como ela aparece no celular? Quem decide quando um alerta deve ser enviado? E por que algumas pessoas recebem o aviso enquanto outras, na mesma cidade, não?

Por trás da notificação existe um sistema que combina monitoramento meteorológico, análise de risco, mapas do território e decisões tomadas por equipes especializadas das Defesas Civis estaduais e municipais. O envio da mensagem é apenas a etapa final de um processo que pode começar dias antes, com o acompanhamento das condições atmosféricas e a avaliação da possibilidade de um desastre.

O Olhar Digital reuniu informações oficiais e ouviu o geólogo Marcelo Gramani, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), além das Defesas Civis dos estados de São Paulo e Pernambuco, para explicar como funciona o sistema de alertas que pode aparecer na tela do seu celular.

Como a mensagem chega ao celular?

Ao contrário dos antigos alertas enviados por SMS, o sistema Defesa Civil Alerta utiliza a tecnologia Cell Broadcast, que transmite mensagens diretamente pelas antenas de telefonia celular. Isso significa que o aviso não depende de cadastro prévio nem do número de telefone do usuário: basta que o aparelho compatível esteja conectado à rede móvel dentro da área considerada de risco.

Segundo Marcelo Gramani, essa mudança tornou o sistema mais preciso e ampliou seu alcance:

Hoje já existe um sistema mais sofisticado. Você não precisa mais estar cadastrado. Eles conseguem isolar uma área, montar um polígono e enviar a mensagem para as torres de celular, para que o alerta chegue a todo mundo que está naquela região, seja morador ou esteja apenas de passagem.

Marcelo Gramani, geólogo do IPT

Na prática, as autoridades delimitam uma área de risco — chamada tecnicamente de polígono — e o alerta é transmitido para todas as pessoas que estiverem dentro dessa região, inclusive turistas e visitantes. Como a transmissão ocorre pelas antenas de telefonia, quem entra na área após o disparo também pode receber a mensagem.

Essa é a principal diferença em relação ao antigo sistema de SMS, que exigia cadastro prévio do número de telefone. De acordo com a Defesa Civil do Estado de São Paulo, o Cell Broadcast envia os avisos simultaneamente para todos os celulares compatíveis presentes na região afetada, tornando a comunicação mais rápida e eficiente em situações de emergência.

O que acontece quando o alerta aparece?

O comportamento do celular muda de acordo com o nível de gravidade do alerta emitido pela Defesa Civil. Em situações classificadas como extremas, a mensagem ocupa toda a tela do aparelho, interrompe qualquer atividade em andamento e é acompanhada por um sinal sonoro semelhante ao de uma sirene, além de vibração. O aviso aparece mesmo que o celular esteja no modo silencioso e só desaparece após o usuário confirmar a leitura.

Nos alertas classificados como severos, o procedimento é um pouco diferente. A mensagem também é exibida na tela do aparelho, mas o aviso sonoro é menos intenso e respeita as configurações de áudio do celular. A diferença busca adequar a forma de comunicação ao nível de risco identificado pelas autoridades.

Independentemente da classificação, o objetivo é garantir que a população perceba rapidamente a situação de risco e tenha tempo para adotar medidas de autoproteção. Por isso, as mensagens são curtas e objetivas, trazendo orientações específicas para cada tipo de ocorrência, como procurar um local seguro, evitar áreas alagadas ou deixar imediatamente regiões sujeitas a deslizamentos.

O Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado de São Paulo explica que essas orientações variam conforme o fenômeno monitorado. Em um alerta para tempestades, por exemplo, a recomendação pode ser permanecer em edificações de alvenaria e manter distância de árvores, postes e áreas alagadas. Já em situações de ventos fortes, o aviso pode orientar a evitar janelas e objetos que possam ser arremessados pelo vento.

Quem decide quando um alerta será enviado?

Embora a mensagem apareça no celular em poucos segundos, a decisão de emitir um alerta começa muito antes do disparo. Ela não depende de um único órgão nem acontece de forma automática quando começa a chover. Antes que um aviso seja enviado, equipes da Defesa Civil acompanham continuamente as condições meteorológicas, analisam previsões, monitoram radares, satélites, estações meteorológicas e pluviômetros e avaliam se o fenômeno representa risco real para a população.

Em São Paulo, esse monitoramento é realizado de forma permanente. O Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil estadual informou ao Olhar Digital que, quando há indicação de condições favoráveis para tempestades, chuvas intensas, ventos fortes ou queda acentuada das temperaturas, as equipes passam a realizar um acompanhamento ainda mais detalhado. À medida que o fenômeno se aproxima, entra em ação o nowcasting, técnica de previsão de curtíssimo prazo que permite acompanhar praticamente em tempo real a evolução das condições meteorológicas.

Mas prever chuva não significa, necessariamente, emitir um alerta. Segundo Marcelo Gramani, a decisão depende da combinação entre os dados meteorológicos e o conhecimento sobre o território.

Existe uma correlação que mostra que, a partir de oitenta ou cem milímetros de chuva acumulada em três dias, a chance de eu ter um escorregamento é muito grande. A gente monitora a chuva, mas não é qualquer dado de chuva que vai disparar um alerta. Também tem a avaliação do modelo climático e meteorológico local para poder soltar os alertas.

Marcelo Gramani, geólogo do IPT

Essa análise considera fatores como o volume de chuva previsto, as características do relevo, a saturação do solo e a vulnerabilidade das áreas que podem ser atingidas. Somente quando esse conjunto de informações indica risco suficiente é que a Defesa Civil define a necessidade de emitir um alerta.

Em Pernambuco, por exemplo, esse processo reúne informações produzidas por diferentes instituições. Em resposta ao Olhar Digital, a Defesa Civil estadual informou que previsões meteorológicas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), alertas geológicos do Cemaden e informações enviadas pelas Defesas Civis municipais são analisados em conjunto antes da decisão de enviar um aviso à população. No caso de deslizamentos, além da previsão de chuva, entram na avaliação fatores como o acumulado pluviométrico das últimas horas e a saturação prévia do solo.

É preciso internet? Quais celulares recebem o alerta?

Receber um alerta da Defesa Civil não depende de aplicativos, cadastro ou conexão com a internet. Como a tecnologia Cell Broadcast utiliza a própria rede de telefonia móvel para transmitir as mensagens, basta que o aparelho esteja conectado às redes 4G ou 5G dentro da área de risco delimitada pelas autoridades.

Isso significa que um celular conectado apenas ao Wi-Fi não receberá o alerta. O mesmo vale para aparelhos desligados, em modo avião ou fora da área coberta pelas antenas que receberam a transmissão.

Segundo a Anatel, a maioria dos smartphones lançados a partir de 2020 já é compatível com o sistema. Em geral, não é necessário realizar nenhuma configuração específica, pois o recurso vem habilitado por padrão nos aparelhos compatíveis. No Android, as configurações podem ser consultadas no menu “Alertas de Emergência sem Fio”. Nos iPhones, a opção aparece como “Alertas de Governo”.

Outra característica importante é que o sistema leva em consideração apenas a localização do aparelho no momento da transmissão, e não o endereço do usuário. Assim, uma pessoa que esteja visitando uma cidade ou passando temporariamente por uma área de risco receberá o mesmo alerta enviado aos moradores da região, desde que seu celular seja compatível e esteja conectado à rede móvel.

Quem não recebe o Cell Broadcast ainda pode usar outros canais

Embora o sistema Defesa Civil Alerta represente a forma mais recente de envio de avisos de emergência, ele não substitui os demais canais de comunicação da Defesa Civil. Quem não possui um celular compatível com a tecnologia Cell Broadcast — ou prefere acompanhar os alertas por outros meios — ainda pode receber notificações por SMS, WhatsApp, Telegram e TV por assinatura.

No caso do SMS, é necessário fazer um cadastro prévio. Basta enviar uma mensagem de texto com o CEP da área de interesse para o número 40199. A partir desse momento, o cidadão passa a receber avisos da Defesa Civil sobre a possibilidade de desastres e eventos adversos na região cadastrada.

Também é possível receber os alertas pelo WhatsApp e pelo Telegram. No WhatsApp, basta adicionar o número oficial da Defesa Civil (61 2034-4611), enviar um “olá” para iniciar a conversa com o robô e seguir as instruções para cadastrar as áreas de interesse. No Telegram, basta procurar pelo perfil “Defesa Civil Alertas”, iniciar a conversa e seguir as orientações do robô. Já na TV por assinatura, os avisos são exibidos automaticamente durante a programação quando há alertas para a região atendida.

Todos os canais são gratuitos e funcionam como complemento ao Defesa Civil Alerta, ampliando as formas de comunicação com a população em situações de emergência. Saiba mais aqui.

Receber o alerta é apenas o primeiro passo

A chegada da mensagem ao celular não garante, por si só, que um desastre será evitado. Para especialistas, a eficácia do sistema depende também de a população compreender o risco, interpretar corretamente as orientações e saber como agir diante de uma emergência.

Marcelo Gramani observa que esse ainda é um dos principais desafios da comunicação de risco. Como as mensagens precisam ser curtas, algumas orientações podem gerar dúvidas se a população não estiver familiarizada com esse tipo de alerta.

“As mensagens realmente têm que ser curtinhas. Você imagina: é um alerta, é uma emergência, não dá para ficar escrevendo textos. Mas normalmente aparece assim: ‘procure um lugar seguro’. Então algumas pessoas ficam na dúvida: ‘Poxa, o que é um lugar seguro?’. É uma recomendação que chega na mensagem”, observa o pesquisador. “A população, a gente mesmo, tem que estar mais acostumada a receber esse alerta e saber o que fazer. Tem que entender a mensagem.”

Por isso, além de investir em sistemas capazes de identificar situações de risco e enviar alertas em poucos segundos, as Defesas Civis também realizam ações de prevenção e conscientização junto às comunidades. A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou que, além do monitoramento permanente, desenvolve simulados, atualiza planos de contingência e promove ações educativas para orientar moradores de áreas vulneráveis.

O objetivo é que o alerta seja apenas a última etapa de um processo de preparação iniciado muito antes da ocorrência de um desastre. Como resume a própria Defesa Civil paulista, “mais do que informar sobre um risco iminente, o grande objetivo dos alertas é transformar a informação em uma ação preventiva capaz de preservar vidas e reduzir danos à população.”

Quer entender como esses alertas são produzidos antes de chegar ao celular? O Olhar Digital também explica, em detalhes, como funciona todo o sistema de monitoramento, análise de risco e tomada de decisão da Defesa Civil até o envio das mensagens de emergência.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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