Eu vou começar este artigo com uma afirmação que vai incomodar: se você está estudando, mas passa horas nas redes sociais todos os dias, sua aprovação não vai rolar.
Não estou dizendo que você precisa abandonar completamente Instagram, TikTok, YouTube, X ou qualquer outra rede. Também não acredito que o simples fato de utilizar redes sociais seja suficiente para prejudicar alguém.
O problema está no uso excessivo, automático e descontrolado. E esse problema se torna ainda mais grave quando seu edital é publicado.
Nesse momento, o concurso deixa de ser uma possibilidade distante e passa a ter uma data, um conteúdo definido e uma concorrência real.
Ou seja, cada hora disponível tem mais valor. Cada sessão de estudo precisa produzir resultado. E é justamente nessa fase que muitos concurseiros entregam uma parcela enorme do próprio tempo para aplicativos que foram projetados para viciá-los.
O problema não é apenas o tempo perdido
Quando eu converso com alunos da mentoria que têm dificuldade para manter uma rotina, muitas vezes ouço algo como: “Eu só entro no Instagram por cinco minutos.”
Mas quase nunca são cinco minutos…
Você pega o celular para responder uma mensagem. Abre o Instagram. Vê um vídeo. Depois outro. Entra em um perfil. Abre os comentários. Recebe uma notificação. Vai para o WhatsApp. Volta para o Instagram.
Quando percebe, passaram 20, 30 ou 40 minutos, quando pouco.
E existe um problema ainda maior: o prejuízo não termina quando você fecha o aplicativo. Você precisa recuperar a atenção.
É por isso que eu não gosto de olhar apenas para a pergunta “quanto tempo você passa nas redes sociais?”. A pergunta mais importante é “quantas vezes as redes sociais interrompem o seu estudo?”.
Uma interrupção aparentemente pequena pode quebrar o estado de concentração que você construiu a duras penas.
Para quem está estudando Direito Constitucional, Português, Contabilidade ou qualquer outra disciplina durante uma hora, não existe apenas a hora que foi perdida olhando o celular. Existe também o tempo necessário para recuperar a concentração e voltar ao nível de raciocínio anterior.
O seu cérebro precisa de atenção
Existe um ponto que considero muito mais importante.
O concurseiro precisa passar horas fazendo justamente aquilo que as redes sociais dificultam: manter atenção em uma tarefa “chata” por períodos prolongados.
Estudar não oferece uma recompensa a cada cinco segundos. Veja:
Você lê uma página de lei. Resolve uma questão. Erra. Volta para o material. Faz outra questão. Erra novamente. Revisa. Repete…
É um processo que exige tolerância ao esforço e capacidade de permanecer concentrado mesmo quando não existe uma recompensa imediata.
Já as redes sociais funcionam de maneira praticamente oposta:
Um vídeo novo. Outro vídeo. Uma notícia. Uma curtida. Uma mensagem. Uma imagem. Outro assunto. Outro estímulo…
O problema aparece quando o cérebro começa a se acostumar com essa sucessão permanente de novidades e você tenta voltar para uma atividade que exige concentração prolongada.
Uma revisão sistemática e meta-análise de Ding, Liu e Chao (2025), que reuniu 15 estudos e mais de 35 mil participantes, encontrou uma associação moderada entre o uso problemático de redes sociais e sintomas relacionados ao TDAH. A correlação encontrada foi de 0,361.
É importante deixar claro: o estudo não demonstra que as redes sociais causam TDAH ou déficit de atenção. O que os pesquisadores identificaram foi uma associação entre essas duas variáveis.
Ainda assim, o resultado reforça a necessidade de olhar com atenção para o uso problemático das redes sociais, especialmente quando concentração e desempenho são fundamentais.
Para mim, a conclusão prática é simples: se a sua prova exige concentração, você precisa proteger a sua concentração.
Quando o edital sai, o problema fica maior
Antes do edital, talvez você consiga administrar melhor o desperdício.
Você pensa:
“Depois eu recupero.”
“Tenho bastante tempo.”
“Esse concurso ainda vai demorar.”
Depois o edital é publicado, e a conversa muda. Agora existe um conteúdo definido, uma banca, uma data, um número de vagas, uma concorrência e, principalmente, existe uma quantidade limitada de dias para transformar conhecimento em desempenho.
É nesse momento que eu considero especialmente perigoso o hábito de consumir redes sociais de forma descontrolada.
Imagine alguém que perde, em média, duas horas por dia nas redes sociais. Isso parece pouco quando analisadas isoladamente.
Mas duas horas por dia representam 14 horas por semana.
Em quatro semanas, são aproximadamente 56 horas.
Em três meses, mais de 160 horas.
É tempo suficiente para fazer milhares de questões, revisar várias disciplinas, corrigir lacunas importantes ou simplesmente avançar no conteúdo.
Por isso, quando o edital sai, eu não consigo tratar o tempo como algo abstrato, pois cada hora desperdiçada precisa ser comparada com aquilo que poderia ter sido feito com ela.
O celular rouba seu descanso
Existe ainda outro problema. Muita gente utiliza as redes sociais principalmente à noite.
“É meu momento de descanso.”
Só que o descanso não é necessariamente descanso quando você passa uma hora ou duas consumindo conteúdo de forma compulsiva e é bombardeado de estímulo.
Isso importa para o concurseiro porque sono ruim prejudica justamente aquilo de que ele mais precisa: atenção, memória, disposição e capacidade de aprendizagem.
Então, às vezes, o ciclo é perverso: você estuda cansado, fica frustrado porque não consegue render, pega o celular para “relaxar”, passa mais tempo do que pretendia nas redes e vai dormir mais tarde.
No dia seguinte, acorda cansado, estuda pior, sente que está atrasado, fica ansioso e volta para as redes sociais como forma de fuga.
O problema deixou de ser apenas “tempo perdido”. Virou um padrão de comportamento que interfere na preparação inteira.
Não precisa excluir as redes sociais
Agora vem uma distinção importante.
Eu não acredito que a solução para você seja apagar as redes sociais.
Para algumas pessoas, talvez seja necessário. Se você já percebeu que não consegue controlar o uso, fazer um período de afastamento pode ser uma excelente estratégia.
Mas, para a maioria, eu prefiro trabalhar com uso consciente e seletivo. Assim, você precisa decidir: “por que eu estou usando esta rede?”
Se a resposta for apenas “porque estou entediado”, existe um problema. Mas se for “porque preciso acompanhar uma informação importante”, é diferente.
Quando a resposta for “porque quero aprender alguma coisa relacionada ao meu concurso”, melhor ainda.
A questão não é transformar o celular em inimigo, mas fazer com que ele deixe de ser o chefe da sua rotina.
Escolha quem você acompanha
Existe uma estratégia simples que pouca gente utiliza: fazer uma limpeza no próprio feed.
Se você está estudando para concurso, por que seguir dezenas de perfis que não têm nenhuma relação com o seu objetivo?
Você abre o Instagram e encontra fofoca, memes; polêmicas, influenciadores, notícias aleatórias, vídeos curtos, conteúdo de entretenimento, discussões intermináveis e desnecessárias…
Depois de alguns minutos, você percebe que não aprendeu absolutamente nada que contribua para a sua aprovação. Eu faria diferente.
Se vou continuar utilizando as redes sociais, quero que uma parte significativa do conteúdo que aparece para mim esteja relacionada ao meu objetivo. Ou seja:
- Professores;
- Mentores;
- Aprovados;
- Especialistas em técnicas de estudo;
- Conteúdo sobre concursos;
- Orientações sobre planejamento;
- Estratégias de prova;
- Informações relevantes sobre editais.
Isso muda completamente a relação com a rede.
Um exemplo é o @estrategiaplatinum, que produz diariamente conteúdo relacionado à preparação para concursos, com técnicas, orientações e estratégias para aprimorar o processo de estudos e a preparação como um todo.
O próprio Estratégia Concursos mantém conteúdos específicos sobre técnicas de estudo, organização da preparação e muita informação.
E existe uma diferença importante entre usar a rede social para fugir dos estudos e usar a rede social para melhorar os estudos.
As duas atividades podem acontecer no mesmo aplicativo.
A diferença está na intenção e, principalmente, no controle.
A armadilha
Cuidado com uma armadilha: até mesmo conteúdo sobre concursos pode virar procrastinação. Esse é um ponto que eu considero fundamental.
Você pode passar três horas consumindo vídeos sobre:
- Como estudar melhor;
- Qual o melhor ciclo;
- Quantas questões fazer;
- Como revisar;
- Qual material usar;
- Como aumentar a concentração;
- Como estudar para o pós-edital.
E, no final do dia, não ter estudado. Isso também é procrastinação.
Entenda: aprender sobre estudar não é a mesma coisa que estudar.
O conteúdo das redes sociais deve servir para melhorar sua execução, e não para substituí-la.
Se você passou 30 minutos vendo uma orientação sobre revisão e depois aplicou aquilo no seu planejamento, ótimo.
Se passou três horas assistindo a vídeos sobre produtividade enquanto suas apostilas permaneceram fechadas, você não foi produtivo.
A aprovação acontece na execução.
Seja diferente no pós-edital
Quando o edital é publicado, eu gosto de pensar que o concurseiro entra em uma espécie de “modo prova”.
Isso não significa viver como um monge.
Significa reduzir aquilo que não contribui para o objetivo.
Você não precisa eliminar todo entretenimento, deixar de conversar com seus amigos e nem abandonar sua vida. Mas precisa entender que existe uma prioridade.
Se você tem quatro horas líquidas para estudar por dia, não pode permitir que duas horas sejam consumidas pelo celular e depois reclamar que não consegue cumprir o planejamento.
Se você precisa fazer 100 questões e passa uma hora vendo vídeos aleatórios, não adianta dizer que “não teve tempo”. Você teve, mas escolheu usar em outra atividade.
E eu acho que essa honestidade é importante.
Como eu faria na prática?
Se o edital acabou de sair, eu adotaria algumas regras muito simples.
1. Tiraria as notificações
Notificação é convite.
E eu não preciso receber um convite para abandonar o estudo a cada cinco minutos.
Desativaria notificações de Instagram, TikTok, X, Facebook e outros aplicativos que não sejam essenciais.
2. Não estudaria com as redes abertas
Celular na mesa é uma tentação desnecessária.
Se possível, deixaria o aparelho longe do alcance durante os blocos de estudo.
Quanto menos decisões eu precisar tomar, melhor.
3. Estabeleceria horários
Em vez de entrar toda vez que sentir vontade, eu definiria horários.
Por exemplo: 20 minutos depois do almoço ou 20 minutos à noite.
O objetivo não é criar uma regra universal. É estabelecer limites que sejam compatíveis com a sua rotina.
4. Faria uma limpeza no feed
Deixaria de seguir aquilo que me tira do objetivo.
E seguiria professores, mentores, aprovados e perfis que realmente acrescentem alguma coisa à preparação.
5. Evitaria o uso antes de dormir
Se o seu sono está sendo prejudicado, não adianta aumentar a quantidade de horas estudadas.
Você precisa também proteger a recuperação.
6. Mediria meu comportamento
Eu verificaria o tempo de uso do celular. Não para me culpar, mas para descobrir a realidade.
Às vezes, a pessoa acredita que usa o Instagram 30 minutos por dia e descobre que está passando duas horas e meia.
A informação pode ser desconfortável, mas também libertadora.
Porque aquilo que eu consigo medir, consigo começar a controlar.
E onde entra a Platinum?
É exatamente aqui que eu vejo a importância de ter orientação durante a preparação.
Um dos grandes problemas do concurseiro não é apenas a falta de material. É a falta de direção.
Quando não existe planejamento, qualquer distração parece aceitável, e quando não existe uma meta clara para aquele dia, é muito mais fácil abrir o celular.
A Platinum do Estratégia Concursos trabalha justamente nessa dimensão da preparação: além do acesso ao conteúdo, oferece acompanhamento com coach, trilhas individualizadas, monitoramento e uma estrutura voltada para organizar a preparação de acordo com o objetivo do aluno.
E isso tem tudo a ver com o problema das redes sociais.
Porque eu acredito que um bom planejamento não serve apenas para dizer o que estudar. Ele também ajuda a definir o que precisa ficar de fora.
Quando sei exatamente o que preciso fazer hoje, qual é a minha meta de questões, quais assuntos preciso revisar e qual é a minha prioridade, fica muito mais difícil cair naquela sensação de “vou só dar uma olhadinha no celular”.
A orientação adequada reduz a improvisação.
E quanto menos improvisação existe, menor é o espaço para a procrastinação.
Não deixe o algoritmo decidir o seu futuro
Essa é a mensagem que eu gostaria que você levasse deste artigo.
As redes sociais não são necessariamente ruins. Elas podem informar, ensinar, aproximar pessoas e até mesmo contribuir para a aprovação.
Mas existe uma diferença enorme entre usar as redes sociais e ser usado por elas.
Quando o algoritmo decide o que você vai assistir, quando você vai assistir e por quanto tempo vai continuar assistindo, você perdeu parte do controle.
E concurso público exige exatamente o contrário. Você precisa decidir o que estudar, quando estudar, quando revisar, quantas questões fazer, quando descansar e, principalmente, o que não merece a sua atenção.
Porque a sua atenção é um recurso limitado. No pós-edital, ela vale ainda mais.
A aprovação exige renúncias
Eu não quero terminar este texto dizendo que você precisa viver sem redes sociais.
Quero dizer algo mais simples: você precisa parar de entregar gratuitamente o seu tempo para aquilo que não aproxima você da aprovação.
Talvez você consiga continuar usando Instagram, WhatsApp e assistindo YouTube e usando outras redes.
Mas faça isso de maneira consciente:
- Escolha quem você acompanha;
- Estabeleça horários;
- Desative notificações; e
- Evite o uso durante os estudos.
Não leve o celular para todos os momentos da sua rotina e não confunda conteúdo sobre concurso com estudo para concurso.
Além disso, quando o edital estiver publicado, lembre-se: você não está mais se preparando para um concurso que um dia vai acontecer. Você está se preparando para uma prova que já tem data.
Nesse momento, cada distração tem um preço e algumas horas desperdiçadas hoje podem representar dezenas de pontos que estarão em disputa no dia da prova.
Eu não quero que você descubra isso quando estiver sentado na sala de prova. Quero que descubra agora.
Use a tecnologia a seu favor. Use as redes sociais de forma inteligente. Siga quem contribui para o seu objetivo. Mas não permita que o algoritmo escolha o futuro que você vai ter.
A sua aprovação precisa ser uma prioridade, e prioridade não é aquilo que eu digo que é importante, mas aquilo para o qual eu realmente entrego meu tempo, minha atenção e minha energia.
Fontes científicas utilizadas
As principais evidências utilizadas neste artigo vêm de revisões sistemáticas e meta-análises recentes sobre uso problemático de redes sociais, smartphones, atenção, sono e desempenho acadêmico.
Entre elas estão uma meta-análise global publicada em 2025 sobre dependência de redes sociais e desempenho acadêmico; uma meta-análise de 2025 com 45 estudos sobre uso de smartphones e desempenho; uma revisão sistemática sobre uso de smartphones/redes sociais fora da tarefa acadêmica; e uma revisão com meta-análises envolvendo mais de 1,1 milhão de participantes sobre redes sociais, saúde mental e sono.
Ou seja, é importante destacar que boa parte dessa literatura é observacional. Portanto, os resultados mostram associações e não permitem afirmar que as redes sociais, isoladamente, sejam a causa direta de baixo desempenho acadêmico.
O argumento central deste artigo é mais específico: o uso problemático, excessivo e fora da tarefa está associado a pior desempenho, dificuldades de atenção e problemas de sono — fatores diretamente relevantes para quem precisa estudar em alto nível.
O post Redes sociais: o vício que impede a aprovação apareceu primeiro em Estratégia Concursos.
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