USMCA pode entrar em contagem regressiva de 10 anos após revisão dos EUA
O futuro do USMCA, acordo que substituiu o Nafta e passou a vigorar em 1º de julho de 2020, deve entrar no centro da agenda comercial da América do Norte. A revisão formal prevista para 2026 pode ser o ponto de virada: se houver consenso entre os três países, o tratado é prorrogado; se não, começa um período de negociações anuais que pode se estender por até 10 anos.
Na prática, isso significa que uma eventual decisão dos Estados Unidos de não endossar a renovação imediata do pacto não encerra o acordo de uma vez. O texto do USMCA foi desenhado para manter o tratado vivo enquanto os governos tentam resolver impasses, mas esse mecanismo também amplia a incerteza para empresas que dependem de cadeias produtivas integradas entre os três mercados.
O mercado já sente o efeito desse ambiente mais instável. Montadoras, siderúrgicas, companhias de energia e o agronegócio estão entre os setores mais expostos, porque operam com investimentos de longo prazo e margens sensíveis a mudanças em tarifas, regras de origem e condições de acesso ao mercado. Quanto maior a dúvida sobre a duração das regras atuais, maior tende a ser a cautela em novos projetos.
Para Washington, a revisão abre espaço para pressionar por mudanças em áreas como conteúdo regional, conteúdo automobilístico e proteção contra triangulação de produtos vindos da China. Para México e Canadá, o desafio é preservar a integração comercial que sustenta exportações, empregos e investimento direto na região. O desfecho da negociação, portanto, vai além da diplomacia: ele pode redefinir custos, rotas de produção e competitividade em toda a América do Norte.